Por vinte anos, quem precisava de alguma coisa nessa cidade batia na porta do Padre Henrique: Batizado, casamento, a bênção na hora da despedida, era ele que o povo procurava.
Henrique nasceu com uma mancha na testa, a vida inteira ela cresceu devagar, e ele foi deixando pra lá.
No começo desse ano, ela fechou um dos olhos dele.
O doutor foi direto: se chegar no outro olho, o padre não enxerga mais.
O tratamento não segurou. Agora só resolve com operação, e o prazo que deu foi cinco meses.
O que ele tem não passa pra ninguém, mas mesmo assim, tem gente que chega na hora da comunhão, olha pro rosto dele e não pega a hóstia da mão dele.
Henrique não culpa ninguém. Ele continua abrindo a igreja todo dia do mesmo jeito.
Quero contribuir
Padre não guarda dinheiro. O que entrou na paróquia sempre voltou pra paróquia, foi assim os vinte anos.
E a operação custa mais do que tudo que esses vinte anos deixaram.
Hoje a comunidade pede por ele toda noite. O homem que passou a vida pedindo pelos outros virou a intenção de cada pedido dessas pessoas.
E a resposta desse pedido pode começar aqui embaixo: